segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A Coisa Pode Ficar Feia



Desde o início do ano a taxa de câmbio brasileira está apreciando, o que significa dizer que o poder de compra do real frente ao dólar tem aumentado. Essa movimentação do câmbio tem chamado a atenção de muita gente. O próprio presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, chegou a mostrar que estava preocupado.
Esse movimento que a taxa de câmbio vem fazendo não estaria assustando tanto se o contexto pelo qual estamos vivendo não fosse de crise. A questão aqui não é a curto prazo, quando ainda a demanda doméstica pode crescer a ponto de ser possível uma conciliação com o câmbio. O problema está no longo prazo, quando a indústria brasileira passa a ser prejudicada.
A longo prazo as indústrias nacionais começam a perder competitividade. Com uma taxa de câmbio apreciada produtos importados se tornam em alguns casos até mais baratos que produtos nacionais. Assim as empresas brasileiras começam a perder espaço tanto no mercado interno quanto no externo, uma vez que as exportações dos nossos produtos se tornam mais caras no ponto de vista internacional.
Nesse momento o setor mais afetado pela valorização do real tem sido as exportações de manufaturas, caso dos segmentos de calçados e artigos de couro, que estão perdendo competitividade. Esses produtos têm a maior parte dos seus custos em reais. No primeiro semestre desse ano suas exportações ficaram em 20,5% contra 22,1% do ano passado.
É possível atribuir a volta da apreciação do real ao diferencial de juro. Mas o juro no Brasil ainda é muito diferente do adotado no resto do mundo. Nesse momento a própria expectativa de que o real vai valorizar já é suficiente para aumentar a entrada de capitais e assim concretizar as expectativas.
Em um momento em que há aumento da capacidade de oferta e a competição se torna feroz no comércio global é importante que o governo tome alguma atitude a fim de corrigir o câmbio de forma não inflacionária. Hoje as indústrias tem condições de competir, existe capacidade ociosa, não temos inflação de demanda e a inflação está baixa. Mas se o governo continuar só mandando avisos para o mercado de que ele está indo na contra mão, então a coisa pode ficar feia.

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