terça-feira, 11 de agosto de 2009

O leão esta engordando



Desde o início da crise norte americana o cenário que tem-se observado no Brasil não é nada agradável. Tem-se presenciado uma forte queda no consumo interno, assim como o acúmulo de estoques das firmas e a redução da atividade econômica. A solução encontrado pelo governo junto ao banco central foi reduzir a taxa básica de juros (Selic), que hoje gira em torno de 8,75%, afim de contornar esses problemas e evitar uma recessão forte. No entanto, se por um lado essa queda dos juros afeta positivamente a situação de algumas empresas e reaquece a economia, de outro chama atenção a movimentação que tem ocorrido de recursos dos fundos para as cardenetas de poupança. Desde que os juros começaram a cair, em janeiro deste ano, os rendimentos dos investidores começaram a minguar. Isso porque enquanto os rendimentos dos fundos caem conforme a taxa básica Selic, os rendimentos da poupança são fixos. Além do mais, depois de serem descontadas a carga fiscal e as altas taxas de administração cobradas pelos bancos, os rendimentos da poupança e dos fundos estavam quase que equiparados. O que torna muito mais vantajoso manter o dinheiro na poupança, onde não tem risco. Com isso muitos investimentos de renda fixa deixaram de ser atrativos para quem pretende começar a aplicar nessa modalidade e a busca por planos da previdência privada foi crescendo. O que significa que as pessoas ficaram mais interessadas nessa opção de investimento do que nos fundos. O problema é que os fundos são os grandes compradores de títulos públicos, ou seja dos papéis com que o governo se financia e paga suas dívidas. Já os recursos da poupança, ínfimos comparado aos do fundo, são vinculados por lei à utilização do crédito imobiliário. O que quer dizer que o governo viu seus recursos diminuírem significativamente. Essa questão gerou muita polêmica e deu muita dor de cabeça ao governo. Sendo assim, a decisão do governo foi no mínimo chocante, ele declarou que a partir de janeiro de 2010 os rendimentos da parcela que exceder 50.000 reais numa aplicação poderão ser tributados. Ou seja, o leão vai comer uma fatia das poupanças que exceder a quantia estipulada pelo governo. No caso dessa nova regra não garantir a volta de grande parte dos recursos que foram deixados de serem arrecadados pelo governo, devido ao desvio dos investimentos dos fundos para a poupança, o governo poderá, numa outra tentativa de manter seus gastos, reduzir as alíquotas de imposto de renda cobradas do rendimento dos fundos. Essa atitude do governo de taxar a poupança despertou a atenção de muita gente, uma vez que até alguns anos atrás essa possibilidade de mexer nos rendimentos da poupança era algo improvável.

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